Ontem consegui comprar o livro de Humberto Gessinger, o vocalista cabeludo loiro dos Engenheiros do Hawaii, grande ídolo no mundo da música.
Todo mundo que me acha minimamente inteligente torce o nariz quando eu revelo essa idolatria. Mas 90% dessas pessoas, quando se dão a oportunidade de conhecer suas letras, reconhecem que há muitas sacadas legais ali. E passam a respeitá-lo e admirá-lo muito mais.
Devorei o livro quase todo ontem mesmo.
Folheando as letras das músicas no fundo do livro, uma delas, obviamente já conhecida, me chamou mais a atenção: Números.
Nela, ele passa a música toda falando de certos números, como “5 extinções em massa, 400 humanidades”, questionando a cada fim de estrofe “e eu com esses números?” para desaguar num refrão que cita uma frase de Santo Agostinho: “A medida de amar é amar sem medida”.
números
(gessinger)
última edição do guiness book
corações a mais de 1000
?e eu com esses números?
5 extinções em massa... 400 humanidades
?e eu com esses números?
solidão a 2... dívida externa... anos luz
aos 33 jesus na cruz... cabral no mar aos 33
e eu ?o que faço com estes números?
a medida de amar é amar sem medida
velocidade máxima permitida
a medida de amar é amar sem medida
nascimento e silva 107... corrientes 348
?e eu com esses números?
traço de audiência... tração nas 4 rodas
e eu ?o que faço com estes números?
7 vidas... mais de mil destinos
todos foram tão cretinos
quando elas se beijaram
a medida de amar é amar sem medida
preparar pra decolar
contagem regressiva
a medida de amar é amar sem medida
mega ultra híper micro baixas calorias
kilowatts...gigabytes
e eu ?o que faço com esses números?
a medida de amar é amar sem medida
preparar pra decolar
contagem regressiva
a medida de amar é amar sem medida
Essa letra me chamou a atenção justamente no momento em que eu passo a divulgar as músicas que componho e arranjo através deste blog e do my space, e, começo a perceber o prazer que dá receber comentários positivos e a frustração quando certos comentários esperados não vêm.
Cheguei a invejar certos blogs com mais de 300 seguidores e 600 comentários.
Nesse contexto, comecei a questionar até que ponto a gratificação com o retorno deve ser cultivada.
Não tenho dúvidas de que é legítimo para qualquer pessoa que expõe determinado tipo de arte (sempre acho estranho, como se fosse muita pretensão chamar minhas musiquinhas de arte) ficar feliz com manifestações positivas. Mas contar e esperar por elas, pode ser muito frustrante.
Ainda mais porque não há números que definam uma medida do “sucesso”.
Nesse sentido, o que seria o sucesso?
2, 12, 123, 1.234 comentários... O que significam?
Humberto, inclusive, depois de compor esta música, passou a citá-la para responder todas as perguntas sobre vendagens de discos.
Estar feliz com o resultado do que se quis criar deve ser a medida do sucesso. Para o artista, o criador, a arte em si, quando o satisfaz, seria o sucesso, a meu ver. E a satisfação em ver o resultado da criação pronto, já é muito recompensador, para mim, particularmente.
Comunicar essa arte, já seriam outros "500".
O fato é que mais uma vez me deparo com a questão do fazer e o julgamento de terceiros.
O que viria primeiro: a insegurança traz uma necessidade do julgamento de terceiros, ou o julgamento de terceiros é que pode trazer insegurança?
Talvez a resposta seja que a segurança seja subjetiva, pouco importando o que pensam os terceiros. Fazer desse nível de compreensão algo intuitivo, e não apenas um pensamento racional, no momento de expor, ainda é um grande desafio para mim.
O mais engraçado é que faço essa postagem logo após ter pedido e ser prontamente atendido, por meu parceiro b@ixista, para disponibilizar o recurso de contador de visitas do blog, uma espécie de medidor de audiência.
Acabei descobrindo, por sinal, que esse contador conta como “mais um”, toda vez que eu próprio dou um “atualizar eu meu blog” para ver se alguém mais me visitou. Achei que o blog estava bombando, até perceber... Hilário.
E eu, o que faço com esse números?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
!PARTE!
Tenho ouvido muitos lançamentos de discos, principalmente nacionais, atualmente. Como material de pesquisa para ver o que estão fazendo de novo, comprei recentemente os discos do Titãs, Charlie Brown, Pitty, Arnaldo Antunes, peguei emprestado Mallu Magalhães, Jota Quest, Céu e baixei (legalmente no próprio site da banda) o do Roney Jorge e os Ladrões de Bicicleta.
Tudo muito bem feito e produzido, mas pouco me emocionou de verdade.
Céu, Mallu e Roney Jorge foram aclamados como os grandes discos de 2009 pela crítica. De fato, percebemos uma sonoridade moderna, sofisticada que tenta fugir do comum (mas que já começa a ter uma identidade – o incomum está ficando meio parecido). Arranjos mais complexos e muito bem elaborados.
Titãs, Charlie Brown e Jota Quest fazem um pouco mais do mesmo que sempre fizeram, com algumas inovações.
Pitty fez um grande disco de rock e Arnaldo Antunes com seu Iê Iê Iê fez o melhor disco do ano. Esses dois últimos realmente me conquistaram.
Mas ainda assim, senti a falta de algo. Em alguns casos, até a emoção parece programada, pensada, planejada. Contida.
Como meu gosto musical foi formado com o rock nacional dos anos 80, sinto falta daquela pegada mais visceral, intuitiva, semi-amadora. Hoje estão todos tão profissionais... Talvez seja meu amadorismo musical que me faça querer acreditar nisso.
Não sei...
Mas sinto falta de refrões para serem cantados a plenos pulmões de olhos fechados na chuva.
As bandas EMO até tentam, berrando refrões românticos. Mas aí não temos as mensagens heróicas e utópicas. Até as músicas mais pessoais tinham uma pegada com mais vigor. Tinham alma e sinceridade. Conquistar a menina era um desafio tão genuíno quanto derrubar o muro de Berlim, ou “amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.
É nesse contexto que componho minhas músicas e a canção abaixo, para mim, traz um refrão para ser cantando assim. De olhos fechados e desafinadamente (que é o jeito que sei, rs). E de testa franzida, de preferência.
Considero uma das minhas melhores letras na união de forma e conteúdo. Gosto muito das metáforas e aliterações. E acho que a mensagem pode ser encarada de forma mais pessoal ou mais abstrata – a idéia, pelo menos, é brincar com essa dubiedade.
Hoje, pensando nas coisas que sempre quis fazer e que deixei estacionadas em algum cantinho entre o desejo e o receio, percebo que certas letras minhas, na verdade, mais parecem recados do inconsciente para mim mesmo. Acordar! Fazer! Hoje! Talvez até tenha demorado muito para escutar, mas pra quem acorda, nunca é tarde.
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
!PARTE!
eu quero abrir os olhos
porque eu não vejo graça
em fazer vista grossa
eu quero acordar
eu não estou de acordo
quero arrebentar a corda
!parte!
!chega perto!
arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
não vou lavar as mãos
porque tenho as mãos limpas
eu vou na contramão
não tenho costas largas
eu não vou dar as costas
é melhor me largar agora
!parte!
!chega perto!
!arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
... outra vez
sempre é tempo...
... outra vez
sempre há tempo...
!parte!
!chega perto!
!arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
outra vez...
PS: meu parceiro baixista está puto porque ainda não gravei a versão com solozinho no final que improvisamos no último ensaio. Culpa do tal “corre-corre do dia a dia”...rs . Em breve, em breve...
Tudo muito bem feito e produzido, mas pouco me emocionou de verdade.
Céu, Mallu e Roney Jorge foram aclamados como os grandes discos de 2009 pela crítica. De fato, percebemos uma sonoridade moderna, sofisticada que tenta fugir do comum (mas que já começa a ter uma identidade – o incomum está ficando meio parecido). Arranjos mais complexos e muito bem elaborados.
Titãs, Charlie Brown e Jota Quest fazem um pouco mais do mesmo que sempre fizeram, com algumas inovações.
Pitty fez um grande disco de rock e Arnaldo Antunes com seu Iê Iê Iê fez o melhor disco do ano. Esses dois últimos realmente me conquistaram.
Mas ainda assim, senti a falta de algo. Em alguns casos, até a emoção parece programada, pensada, planejada. Contida.
Como meu gosto musical foi formado com o rock nacional dos anos 80, sinto falta daquela pegada mais visceral, intuitiva, semi-amadora. Hoje estão todos tão profissionais... Talvez seja meu amadorismo musical que me faça querer acreditar nisso.
Não sei...
Mas sinto falta de refrões para serem cantados a plenos pulmões de olhos fechados na chuva.
As bandas EMO até tentam, berrando refrões românticos. Mas aí não temos as mensagens heróicas e utópicas. Até as músicas mais pessoais tinham uma pegada com mais vigor. Tinham alma e sinceridade. Conquistar a menina era um desafio tão genuíno quanto derrubar o muro de Berlim, ou “amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.
É nesse contexto que componho minhas músicas e a canção abaixo, para mim, traz um refrão para ser cantando assim. De olhos fechados e desafinadamente (que é o jeito que sei, rs). E de testa franzida, de preferência.
Considero uma das minhas melhores letras na união de forma e conteúdo. Gosto muito das metáforas e aliterações. E acho que a mensagem pode ser encarada de forma mais pessoal ou mais abstrata – a idéia, pelo menos, é brincar com essa dubiedade.
Hoje, pensando nas coisas que sempre quis fazer e que deixei estacionadas em algum cantinho entre o desejo e o receio, percebo que certas letras minhas, na verdade, mais parecem recados do inconsciente para mim mesmo. Acordar! Fazer! Hoje! Talvez até tenha demorado muito para escutar, mas pra quem acorda, nunca é tarde.
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
!PARTE!
eu quero abrir os olhos
porque eu não vejo graça
em fazer vista grossa
eu quero acordar
eu não estou de acordo
quero arrebentar a corda
!parte!
!chega perto!
arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
não vou lavar as mãos
porque tenho as mãos limpas
eu vou na contramão
não tenho costas largas
eu não vou dar as costas
é melhor me largar agora
!parte!
!chega perto!
!arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
... outra vez
sempre é tempo...
... outra vez
sempre há tempo...
!parte!
!chega perto!
!arde!
pra quem acorda nunca é tarde
!age hoje!
!ergue!
!invade!
é tempo de romper a grade
outra vez...
PS: meu parceiro baixista está puto porque ainda não gravei a versão com solozinho no final que improvisamos no último ensaio. Culpa do tal “corre-corre do dia a dia”...rs . Em breve, em breve...
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
QUANDO MENOS É MAIS
Muitas vezes menos é mais. Normalmente falamos besteira quando falamos demais. Perdemos o raciocínio quando escrevemos demais, além do que objetivamente se queria dizer.
No último ensaio entre o baixista e eu, penamos um pouco para conseguir tocar “Primeiro Passo”, do jeito que gravei. Não que tenha gravado nada muito complexo, mas no meu nível de guitarrista e cantor atual não consegui executar a contento as trocas de efeito e o dedilhado que a música exigia, enquanto cantava.
Ele por sua vez também se perdeu um pouco em se manter no tempo correto no decorrer completo da música – nada mais natural para alguém que acabou de migrar da guitarra para o baixo.
Para relaxar um pouco, mostrei para ele pela primeira vez “Uma Só”. Botei uma base fixa de bateria (que a pedaleira da guitarra possibilita) e comecei a tocar a música, falando antes o acorde que a sequência da música pedia, para ele poder me acompanhar.
E não é que ficou bem mais redondinho?!
Ele pegou rapidamente a melodia enquanto eu cantava e tocava com a guitarrinha mais simplesinha possível. E a gente se encontrou. Sem grandes efeitos nem firulas.
E é nesse contexto que está nascendo para mim uma nova concepção na hora de elaborar os arranjos do disco “Pra Quem Acorda Nunca É Tarde” que pretendemos gravar em maio/2010.
Já que vamos tocar em trio, vamos apostar mesmo na simplicidade e na criatividade para tocar as músicas. Bem dentro daquela idéia de se fazer o que se pode.
E foi assim que gravei nos últimos 2 dias “UMA SÒ”, que pode ser ouvida abaixo:
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
Pelo teclado “midi” simulei a base da bateria, bem básica mesmo. Nem os “pratos” coloquei ainda. Assim como o baixo, marcando a música, com pequenas firulinhas, muito aquém do que nosso baixista conseguiu fazer “ao vivo”.
A guitarrinha foi tocada de verdade, apenas uma vez, sem correção de erros, igualmente simples. E tentando fazer a voz do melhor jeito possível, com um microfone que não ajuda muito alguém que realmente precisa de ajuda (rs, um dia chego lá).
Gravei tudo em 2 noites nas quais fui dormir cerca de 2h da manhã, acordando às 7h para trabalhar: “a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo / e o que dá grana é raro ser a grande paixão / mas essa vida é uma só, e não sou tão bom no futebol / e me permito ter um pouquinho de diversão”.
No fim das contas a gravação pode ser considerada tosca, simples, básica. Mas achei tão gostosa... A simplicidade tem seus encantos. Realmente, muitas vezes, menos pode ser mais.
UMA SÓ
Eu poderia ter uma banda de rock
Ou poderia estudar pra ser doutor
E passar num concurso público pra fazer cumprir a lei
Ou fazer cursos pra aprender o que não sei (tipo francês)
Eu poderia passar a vida viajando
Não ter raízes nem nenhuma proteção
Seria garçom no Canadá, barman num pub irlandês
Ou ter família, filhos, salário burguês
E a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo
E o que dá grana é raro ser a grande paixão
Mas essa vida é uma só e não sou tão bom no futebol
E me permito ter um pouquinho de diversão
Eu poderia levar uma vida inconseqüente
Sem compromisso, objetivo, ou pretensão
Só ir pra festa tomar todas sem nenhuma sensatez
Mas nós só temos 20 anos uma vez...
E nós fazemos tudo ao mesmo tempo agora
Romances, trampo, estudo, prole e malhação
Porque essa vida é uma só e eu quero dar o meu melhor
Mas também gosto de assistir televisão
No último ensaio entre o baixista e eu, penamos um pouco para conseguir tocar “Primeiro Passo”, do jeito que gravei. Não que tenha gravado nada muito complexo, mas no meu nível de guitarrista e cantor atual não consegui executar a contento as trocas de efeito e o dedilhado que a música exigia, enquanto cantava.
Ele por sua vez também se perdeu um pouco em se manter no tempo correto no decorrer completo da música – nada mais natural para alguém que acabou de migrar da guitarra para o baixo.
Para relaxar um pouco, mostrei para ele pela primeira vez “Uma Só”. Botei uma base fixa de bateria (que a pedaleira da guitarra possibilita) e comecei a tocar a música, falando antes o acorde que a sequência da música pedia, para ele poder me acompanhar.
E não é que ficou bem mais redondinho?!
Ele pegou rapidamente a melodia enquanto eu cantava e tocava com a guitarrinha mais simplesinha possível. E a gente se encontrou. Sem grandes efeitos nem firulas.
E é nesse contexto que está nascendo para mim uma nova concepção na hora de elaborar os arranjos do disco “Pra Quem Acorda Nunca É Tarde” que pretendemos gravar em maio/2010.
Já que vamos tocar em trio, vamos apostar mesmo na simplicidade e na criatividade para tocar as músicas. Bem dentro daquela idéia de se fazer o que se pode.
E foi assim que gravei nos últimos 2 dias “UMA SÒ”, que pode ser ouvida abaixo:
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
Pelo teclado “midi” simulei a base da bateria, bem básica mesmo. Nem os “pratos” coloquei ainda. Assim como o baixo, marcando a música, com pequenas firulinhas, muito aquém do que nosso baixista conseguiu fazer “ao vivo”.
A guitarrinha foi tocada de verdade, apenas uma vez, sem correção de erros, igualmente simples. E tentando fazer a voz do melhor jeito possível, com um microfone que não ajuda muito alguém que realmente precisa de ajuda (rs, um dia chego lá).
Gravei tudo em 2 noites nas quais fui dormir cerca de 2h da manhã, acordando às 7h para trabalhar: “a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo / e o que dá grana é raro ser a grande paixão / mas essa vida é uma só, e não sou tão bom no futebol / e me permito ter um pouquinho de diversão”.
No fim das contas a gravação pode ser considerada tosca, simples, básica. Mas achei tão gostosa... A simplicidade tem seus encantos. Realmente, muitas vezes, menos pode ser mais.
UMA SÓ
Eu poderia ter uma banda de rock
Ou poderia estudar pra ser doutor
E passar num concurso público pra fazer cumprir a lei
Ou fazer cursos pra aprender o que não sei (tipo francês)
Eu poderia passar a vida viajando
Não ter raízes nem nenhuma proteção
Seria garçom no Canadá, barman num pub irlandês
Ou ter família, filhos, salário burguês
E a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo
E o que dá grana é raro ser a grande paixão
Mas essa vida é uma só e não sou tão bom no futebol
E me permito ter um pouquinho de diversão
Eu poderia levar uma vida inconseqüente
Sem compromisso, objetivo, ou pretensão
Só ir pra festa tomar todas sem nenhuma sensatez
Mas nós só temos 20 anos uma vez...
E nós fazemos tudo ao mesmo tempo agora
Romances, trampo, estudo, prole e malhação
Porque essa vida é uma só e eu quero dar o meu melhor
Mas também gosto de assistir televisão
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
CORRE-CORRE DO DIA A DIA
O corre-corre do dia a dia (clichê maior impossível) não tem me deixado ensaiar como gostaria. Mal toquei na guitarra esta semana. Trabalhar, pagar as contas, trânsito, lazer e ainda tentar começar a fazer um trabalho musical, não é fácil. É preciso mais tempo! Essa temática está bem explícita em músicas como “Pé No Breque” e “Uma Só”. No projeto do disco “Pra Quem Acorda Nunca É Tarde” essas 2 músicas dão uma conclusão ao ciclo do disco, de músicas que contam a passagem de alguém que quer dar um “Primeiro Passo” em direção de algo, mas vive inseguranças e incertezas, até se decidir seguir em frente.
Queria que esta atualização do blog fosse com a prévia de “Uma Só”, mas não sei quando conseguirei gravá-la de verdade.
Então, vou postar aqui a versão gravada de Pé No Breque, que tem muito a ver com esse momento atual, sendo que a segunda parte debruça-se mais explicitamente sobre a correria no universo feminino.
Meu parceiro baixista tornou esse recurso possível, já que @nta aqui não tem a manha:
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
É só dar o play. Funcionou?
PÉ NO BREQUE
O mundo globalizado
O mercado disputado
O futuro apressado
Passa por você
3 ou 4 idiomas
aparência e diplomas
a economia em coma
clama por você
várias pilhas de trabalho
ou carta fora do baralho
nunca aparece um atalho
fácil pra você
patrimônio, investimento
custos, contas e proventos
sem trinta por cento
tomam conta de você
que não agüenta mais ter que correr
pra alcançar, para fugir, não dá pra cansar
senão vai ser atropelada e acabar ficando para trás
então, acelerar, acelerar!!!
mas pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
ouça a respiração
pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
e exorcize…
tecnologia aos pulos
verde, água e ar puro
violência e apuros
procuram você
academia e leitura
culto ao corpo e cultura
bela, sábia e madura
esperam de você
amor: carinho sem carência
companhia e independência
cama, dama e inteligência
querem de você
mercado globalizado
filho, chefe, empregado,
amante e amado
correm atrás de você...
que não agüenta mais ter que correr
pra alcançar, para fugir, não dá pra cansar
senão vai ser atropelada e acabar ficando para trás
então, acelerar, acelerar!!!
mas pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
ouça a respiração
pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
e exorcize…
Queria que esta atualização do blog fosse com a prévia de “Uma Só”, mas não sei quando conseguirei gravá-la de verdade.
Então, vou postar aqui a versão gravada de Pé No Breque, que tem muito a ver com esse momento atual, sendo que a segunda parte debruça-se mais explicitamente sobre a correria no universo feminino.
Meu parceiro baixista tornou esse recurso possível, já que @nta aqui não tem a manha:
(retirado: pode ser ouvida na coluna ao lado)
É só dar o play. Funcionou?
PÉ NO BREQUE
O mundo globalizado
O mercado disputado
O futuro apressado
Passa por você
3 ou 4 idiomas
aparência e diplomas
a economia em coma
clama por você
várias pilhas de trabalho
ou carta fora do baralho
nunca aparece um atalho
fácil pra você
patrimônio, investimento
custos, contas e proventos
sem trinta por cento
tomam conta de você
que não agüenta mais ter que correr
pra alcançar, para fugir, não dá pra cansar
senão vai ser atropelada e acabar ficando para trás
então, acelerar, acelerar!!!
mas pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
ouça a respiração
pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
e exorcize…
tecnologia aos pulos
verde, água e ar puro
violência e apuros
procuram você
academia e leitura
culto ao corpo e cultura
bela, sábia e madura
esperam de você
amor: carinho sem carência
companhia e independência
cama, dama e inteligência
querem de você
mercado globalizado
filho, chefe, empregado,
amante e amado
correm atrás de você...
que não agüenta mais ter que correr
pra alcançar, para fugir, não dá pra cansar
senão vai ser atropelada e acabar ficando para trás
então, acelerar, acelerar!!!
mas pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
ouça a respiração
pé no breque, quebre o ritmo
puxe o freio de mão
take a break, take it easy
e exorcize…
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
UMA SÓ
Encontrei um parceirão para tocar (adoro trocadilhos infames; na verdade, não acho infames, acho geniais) adiante o projeto da banda. Acostumado à guitarra, ele ficou mais à vontade do que eu no baixo e decidimos que, por enquanto, será assim: ele no baixo e eu na guitarra.
Estamos empolgados com a idéia e motivados a estudar mais e mais os instrumentos.
No último sábado tocamos juntos por quase 4 horas. Foi a primeira vez dele no baixo e minha primeira vez também tentando tocar e cantar ao mesmo tempo. Então, não saiu nada muito redondo, mas o importante é que saiu algo. Ficamos relativamente satisfeitos e certos de que, com ensaio e estudo, em breve poderemos fazer um som legal.
No domingo, teve aniversário de minha irmã lá em casa: no fim da festa, meu pai ligou seu violão à caixa de som e disparou a tocar suas músicas, verdadeiros hits conhecidos e pedidos pela família. Nem preciso dizer que minha herança de compositor vem dele. Mas, infelizmente não herdei sua desinibição.
Atendendo a pedidos, depois de muito relutar, fui lá no microfone e na caixa de som tocar uma música minha.
Toquei uma música chamada “UMA SÓ”, cuja letra transcrevo mais abaixo.
Mas, no decorrer da execução da música fiquei meio nervoso; em vez de me concentrar no que estava fazendo, observei algumas expressões e achei que não estava agradando, que estava horrível e resolvi encurtar a música, encerrando no primeiro refrão e abandonando o posto. Toquei realmente “uma só”...
Uns primos protestaram, um outro elogiou a música, uma prima disse que não estava ruim, mesma avaliação de pais e irmãs (será que a avaliação é imparcial? rs).
Mas o fato é que, ruim ou não, eu não posso estar tão ligado no julgamento dos outros. Para conseguir tocar em público terei que trabalhar isso na cabeça. Concentrar no que estou fazendo sem me importar com julgamentos. Se não conseguir esse nível de abstração, tocar e cantar será sempre um fardo e não uma diversão. Talvez seja mais uma passo. Como diz meu pai, se fosse fácil, não teria graça.
Segue abaixo a letra dessa música, que será a próxima que pretendo gravar no home estúdio. Acho que tem a ver com a “crise dos 30” rsrs.
UMA SÓ
Eu poderia ter uma banda de rock
Ou poderia estudar pra ser doutor
E passar num concurso público pra fazer cumprir a lei
Ou fazer cursos pra aprender o que não sei (tipo francês)
Eu poderia passar a vida viajando
Não ter raízes nem nenhuma proteção
Seria garçom no Canadá, barman num pub irlandês
Ou ter família, filhos, salário burguês
E a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo
E o que dá grana é raro ser a grande paixão
Mas essa vida é uma só e não sou tão bom no futebol
E me permito ter um pouquinho de diversão
Eu poderia levar uma vida inconseqüente
Sem compromisso, objetivo, ou pretensão
Só ir pra festa tomar todas sem nenhuma sensatez
Mas nós só temos 20 anos uma vez...
E nós fazemos tudo ao mesmo tempo agora
Romances, trampo, estudo, prole e malhação
Porque essa vida é uma só e eu quero dar o meu melhor
Mas também gosto de assistir televisão
Estamos empolgados com a idéia e motivados a estudar mais e mais os instrumentos.
No último sábado tocamos juntos por quase 4 horas. Foi a primeira vez dele no baixo e minha primeira vez também tentando tocar e cantar ao mesmo tempo. Então, não saiu nada muito redondo, mas o importante é que saiu algo. Ficamos relativamente satisfeitos e certos de que, com ensaio e estudo, em breve poderemos fazer um som legal.
No domingo, teve aniversário de minha irmã lá em casa: no fim da festa, meu pai ligou seu violão à caixa de som e disparou a tocar suas músicas, verdadeiros hits conhecidos e pedidos pela família. Nem preciso dizer que minha herança de compositor vem dele. Mas, infelizmente não herdei sua desinibição.
Atendendo a pedidos, depois de muito relutar, fui lá no microfone e na caixa de som tocar uma música minha.
Toquei uma música chamada “UMA SÓ”, cuja letra transcrevo mais abaixo.
Mas, no decorrer da execução da música fiquei meio nervoso; em vez de me concentrar no que estava fazendo, observei algumas expressões e achei que não estava agradando, que estava horrível e resolvi encurtar a música, encerrando no primeiro refrão e abandonando o posto. Toquei realmente “uma só”...
Uns primos protestaram, um outro elogiou a música, uma prima disse que não estava ruim, mesma avaliação de pais e irmãs (será que a avaliação é imparcial? rs).
Mas o fato é que, ruim ou não, eu não posso estar tão ligado no julgamento dos outros. Para conseguir tocar em público terei que trabalhar isso na cabeça. Concentrar no que estou fazendo sem me importar com julgamentos. Se não conseguir esse nível de abstração, tocar e cantar será sempre um fardo e não uma diversão. Talvez seja mais uma passo. Como diz meu pai, se fosse fácil, não teria graça.
Segue abaixo a letra dessa música, que será a próxima que pretendo gravar no home estúdio. Acho que tem a ver com a “crise dos 30” rsrs.
UMA SÓ
Eu poderia ter uma banda de rock
Ou poderia estudar pra ser doutor
E passar num concurso público pra fazer cumprir a lei
Ou fazer cursos pra aprender o que não sei (tipo francês)
Eu poderia passar a vida viajando
Não ter raízes nem nenhuma proteção
Seria garçom no Canadá, barman num pub irlandês
Ou ter família, filhos, salário burguês
E a gente tenta fazer tudo ao mesmo tempo
E o que dá grana é raro ser a grande paixão
Mas essa vida é uma só e não sou tão bom no futebol
E me permito ter um pouquinho de diversão
Eu poderia levar uma vida inconseqüente
Sem compromisso, objetivo, ou pretensão
Só ir pra festa tomar todas sem nenhuma sensatez
Mas nós só temos 20 anos uma vez...
E nós fazemos tudo ao mesmo tempo agora
Romances, trampo, estudo, prole e malhação
Porque essa vida é uma só e eu quero dar o meu melhor
Mas também gosto de assistir televisão
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Contra a ditadura da felicidade para sermos realmente felizes...
SUPERFÍCIE
Sim, está tudo bem
Eu estou feliz
E todos também
Sim, está tudo ok
Agora é assim
É a nova lei
O sucesso é uma imagem
Incerteza é palavrão
O amor na tatuagem
Em silêncio, o coração
Sim, está tudo dez
Da boca pra fora
Da cabeça aos pés
Sim, está tudo legal
Na foto, na cara
No álbum virtual
Logo acima do tapete
Peças de decoração
Cá na superfície, enfeite
Mas há poeira no porão
Um mergulho em águas rasas
Medo de não ter pulmão
Mas um dia cai a casa
E vem à tona o porão
Sim, está tudo bem
Eu estou feliz
E todos também
Sim, está tudo ok
Agora é assim
É a nova lei
O sucesso é uma imagem
Incerteza é palavrão
O amor na tatuagem
Em silêncio, o coração
Sim, está tudo dez
Da boca pra fora
Da cabeça aos pés
Sim, está tudo legal
Na foto, na cara
No álbum virtual
Logo acima do tapete
Peças de decoração
Cá na superfície, enfeite
Mas há poeira no porão
Um mergulho em águas rasas
Medo de não ter pulmão
Mas um dia cai a casa
E vem à tona o porão
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
FAZENDO DA FANTASIA ALGO CONCRETO
Ontem fiz um exercício interessante.
Quando gravo uma música através do meu software de gravação, o Protools, gravo cada instrumento separadamente em um canal de áudio próprio.
Peguemos a música Pé No Breque, como exemplo: há, para simplificar o entendimento, 4 canais: um para bateria, um para o contrabaixo, outro para a guitarra e mais um para a voz. Dessa forma, posso ouvir cada instrumento ou voz isoladamente, posso ouvir apenas 2 deles juntos, ou ouvir todos juntos, formando o arranjo completo da música.
Entendido isso, fiz o seguinte: deixando “mudos” os canais de voz e guitarra e ATIVOS somente os canais de bateria e contrabaixo, conectei a gravação já feita, a uma caixa de som.
Outro aparte: tenho um caixa de som “multiuso” na qual posso conectar várias coisas como a guitarra, um microfone para a voz, um teclado ou um cd player, até.
Então, conectei a gravação pronta, de onde só saía bateria e contrabaixo, à caixa de som, onde conectei também a guitarra e um microfone para voz.
Assim, eu teria o acompanhamento fixo e pronto da bateria e do contrabaixo, e teria que executar “ao vivo” a guitarra e a voz, justamente como exercício simulador da execução em banda. O grande lance era ver até que ponto conseguiria fazer a voz e a guitarra ao mesmo tempo.
Parece um exercício muito básico, dos mais iniciantes, (e sou iniciante) mas não é tão simples.
Uma coisa é o cara cantar e se acompanhar no violão. Isso, faço sem dificuldade. Mas me parece que a guitarra tem especificidades na hora de tocar que demandam uma concentração um pouco maior, o que pode complicar, quando se tem que cantar ao mesmo tempo.
Pois bem. Fiz esse primeiro teste com Pé No Breque. Música rápida e difícil de cantar até para quem está sem tocar nada. Nas primeiras tentativas foi difícil: concentrado na guitarra, atropelava palavras, cantava frases indecifráveis. Quando concentrava na voz, errava na guitarra... Mas, após umas 5 tentativas, consegui um resultado até que razoável. Cantei todos os versos satisfatoriamente e até troquei de efeitos da guitarra, da distorção para um efeito mais limpo (com o pé, a gente aperta o pedal e troca o efeito), sem dificuldade.
Mais uma prova de que ao lado do talento e da criatividade, em qualquer atividade que quisermos desempenhar, é preciso o suor, a repetição, o ensaio. O lado braçal da coisa. Só a título de exemplo, Oscar, o ídolo máximo do basquete brasileiro, não passava de um jogador tecnicamente razoável nos quesitos velocidades, marcação, tática. Mas o que fez de Oscar um jogador excepcional foi seu arremesso certeiro, com nível de aproveitamento fora do comum. Segundo o próprio Oscar, isso não foi obra do acaso. Ele ficava treinando horas e horas arremessos, sozinho.
Bom, voltando ao exercício de ontem.
Relativamente satisfeito com Pé No Breque, parti para outra música, na qual julgava que teria ainda menos dificuldade: Qualquer Direção.
Mas aí, a coisa foi feia.
Primeiro, que na introdução que criei e gravei Qualquer Direção, tive que gravar 2 guitarras sobrepostas, talvez até para driblar minhas limitações de guitarrista. Dessas 2 guitarras, uma estava com efeito de distorção enquanto a outra estava “limpa”. Como AO VIVO vamos tocar em trio e vai constar apenas uma guitarra “no palco”, tive que decidir se faria a introdução com a guitarra limpa ou distorcida, na hora de tocar ao vivo. Melhor limpa. Ok. Só que aí surgiu outro problema.
Logo após a introdução, quando começa a voz, a guitarra é distorcida. Então a mudança de efeitos tinha que ser rápida, instantânea e penei muito nessa troca. Mas depois de algumas tentativas essa primeira troca ficou mole.
O problema é que, durante a música, a guitarra (da forma como idealizei) alterna muito entre o efeito de distorção e o mais limpo, e não consegui me encontrar nessas constantes trocas, que fazemos com os pés, tendo ainda a obrigação de cantar. Se fosse só tocar sem cantar, conseguiria. Cantar tocando sem as trocas de efeito, também.
Nessa hora surge o x da questão, a angústia de se buscar o que deseja e o confronto com a limitação.
Aí surge um erro, que é a comparação. Será que outros podem e eu não? Comecei a pensar rapidamente em bandas que conheço e realmente não consegui lembrar de vocalistas que toquem guitarra fazendo trocas de efeito assim, tão constantes. Outro dia vi um show do Skank observando Samuel tocando e cantando e pelo que percebi, nos momentos em que canta, ele faz na guitarra um acompanhamento básico. Foi uma impressão, posso estar enganado, até porque estava deitado e com sono – não foi uma observação tão concentrada.
Em outras bandas que fazem parte de minha formação musical, como Engenheiros, Legião, RPM, The Police, os respectivos vocalistas Humberto Gessinger, Renato Russo, Paulo Ricardo e Sting, tocavam contrabaixo. Talvez, seja mais fácil.
Mas o fato é que antes de achar trezentos outros exemplos de vocalistas que fazem “miséria” com a guitarra enquanto também cantam, (lembrei do Mark Knopfler do Dire Straits) tenho que pensar que o foco sou eu. Tenho que fazer o som que posso.
E 2010 é o ano de fantasiar menos e fazer mais, aceitando as limitações (sem nunca deixar de evoluir, é claro).
Com esse raciocínio, vai ser mais fácil optar por um arranjo mais básico, sem trocas de efeitos, mais confortável para cantar e tocar ao vivo, com criatividade.
Problema resolvido. Dilema dissolvido. Por enquanto...
Quando gravo uma música através do meu software de gravação, o Protools, gravo cada instrumento separadamente em um canal de áudio próprio.
Peguemos a música Pé No Breque, como exemplo: há, para simplificar o entendimento, 4 canais: um para bateria, um para o contrabaixo, outro para a guitarra e mais um para a voz. Dessa forma, posso ouvir cada instrumento ou voz isoladamente, posso ouvir apenas 2 deles juntos, ou ouvir todos juntos, formando o arranjo completo da música.
Entendido isso, fiz o seguinte: deixando “mudos” os canais de voz e guitarra e ATIVOS somente os canais de bateria e contrabaixo, conectei a gravação já feita, a uma caixa de som.
Outro aparte: tenho um caixa de som “multiuso” na qual posso conectar várias coisas como a guitarra, um microfone para a voz, um teclado ou um cd player, até.
Então, conectei a gravação pronta, de onde só saía bateria e contrabaixo, à caixa de som, onde conectei também a guitarra e um microfone para voz.
Assim, eu teria o acompanhamento fixo e pronto da bateria e do contrabaixo, e teria que executar “ao vivo” a guitarra e a voz, justamente como exercício simulador da execução em banda. O grande lance era ver até que ponto conseguiria fazer a voz e a guitarra ao mesmo tempo.
Parece um exercício muito básico, dos mais iniciantes, (e sou iniciante) mas não é tão simples.
Uma coisa é o cara cantar e se acompanhar no violão. Isso, faço sem dificuldade. Mas me parece que a guitarra tem especificidades na hora de tocar que demandam uma concentração um pouco maior, o que pode complicar, quando se tem que cantar ao mesmo tempo.
Pois bem. Fiz esse primeiro teste com Pé No Breque. Música rápida e difícil de cantar até para quem está sem tocar nada. Nas primeiras tentativas foi difícil: concentrado na guitarra, atropelava palavras, cantava frases indecifráveis. Quando concentrava na voz, errava na guitarra... Mas, após umas 5 tentativas, consegui um resultado até que razoável. Cantei todos os versos satisfatoriamente e até troquei de efeitos da guitarra, da distorção para um efeito mais limpo (com o pé, a gente aperta o pedal e troca o efeito), sem dificuldade.
Mais uma prova de que ao lado do talento e da criatividade, em qualquer atividade que quisermos desempenhar, é preciso o suor, a repetição, o ensaio. O lado braçal da coisa. Só a título de exemplo, Oscar, o ídolo máximo do basquete brasileiro, não passava de um jogador tecnicamente razoável nos quesitos velocidades, marcação, tática. Mas o que fez de Oscar um jogador excepcional foi seu arremesso certeiro, com nível de aproveitamento fora do comum. Segundo o próprio Oscar, isso não foi obra do acaso. Ele ficava treinando horas e horas arremessos, sozinho.
Bom, voltando ao exercício de ontem.
Relativamente satisfeito com Pé No Breque, parti para outra música, na qual julgava que teria ainda menos dificuldade: Qualquer Direção.
Mas aí, a coisa foi feia.
Primeiro, que na introdução que criei e gravei Qualquer Direção, tive que gravar 2 guitarras sobrepostas, talvez até para driblar minhas limitações de guitarrista. Dessas 2 guitarras, uma estava com efeito de distorção enquanto a outra estava “limpa”. Como AO VIVO vamos tocar em trio e vai constar apenas uma guitarra “no palco”, tive que decidir se faria a introdução com a guitarra limpa ou distorcida, na hora de tocar ao vivo. Melhor limpa. Ok. Só que aí surgiu outro problema.
Logo após a introdução, quando começa a voz, a guitarra é distorcida. Então a mudança de efeitos tinha que ser rápida, instantânea e penei muito nessa troca. Mas depois de algumas tentativas essa primeira troca ficou mole.
O problema é que, durante a música, a guitarra (da forma como idealizei) alterna muito entre o efeito de distorção e o mais limpo, e não consegui me encontrar nessas constantes trocas, que fazemos com os pés, tendo ainda a obrigação de cantar. Se fosse só tocar sem cantar, conseguiria. Cantar tocando sem as trocas de efeito, também.
Nessa hora surge o x da questão, a angústia de se buscar o que deseja e o confronto com a limitação.
Aí surge um erro, que é a comparação. Será que outros podem e eu não? Comecei a pensar rapidamente em bandas que conheço e realmente não consegui lembrar de vocalistas que toquem guitarra fazendo trocas de efeito assim, tão constantes. Outro dia vi um show do Skank observando Samuel tocando e cantando e pelo que percebi, nos momentos em que canta, ele faz na guitarra um acompanhamento básico. Foi uma impressão, posso estar enganado, até porque estava deitado e com sono – não foi uma observação tão concentrada.
Em outras bandas que fazem parte de minha formação musical, como Engenheiros, Legião, RPM, The Police, os respectivos vocalistas Humberto Gessinger, Renato Russo, Paulo Ricardo e Sting, tocavam contrabaixo. Talvez, seja mais fácil.
Mas o fato é que antes de achar trezentos outros exemplos de vocalistas que fazem “miséria” com a guitarra enquanto também cantam, (lembrei do Mark Knopfler do Dire Straits) tenho que pensar que o foco sou eu. Tenho que fazer o som que posso.
E 2010 é o ano de fantasiar menos e fazer mais, aceitando as limitações (sem nunca deixar de evoluir, é claro).
Com esse raciocínio, vai ser mais fácil optar por um arranjo mais básico, sem trocas de efeitos, mais confortável para cantar e tocar ao vivo, com criatividade.
Problema resolvido. Dilema dissolvido. Por enquanto...
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